FAMA Campo

Localizada na região de Mairinque, interior do estado de São Paulo, a FAMA Campo é um braço da FAMA Museu. Inaugurada em novembro de 2019, o museu a céu aberto foi inspirado na “land art”, um movimento artístico que une a arte e o meio ambiente. A FAMA Campo nasce com o intuito de Recber obras que intervêm na paisagem local, que convivam com a natureza e se transformem com ela.

MARCIA PASTORE
Transposição, 2018-2019

CARLITO CARVALHOSA
Área de Propriedade, 2020

ONDE O CÉU ENCONTRA-SE COM O CHÃO E O AR COM A TERRA

Onde o céu encontra-se com o chão e o ar com a terra

Inspirado em uma nova forma de pensar os museus e inspirada na corrente artística dos anos 1960 do “land art”, a Fábrica de Arte Marcos Amaro inaugura seu novo braço da FAMA – Itu, o FAMA – Campo, situado na região da cidade de Mairinque, interior do estado de São Paulo.

Mais do que um oásis de arte no interior do Estado, a iniciativa quer fazer sentido para uma nova forma de olhar a arte. Qual? Trata-se de novo modo despretensioso de expor a arte, em um museu aberto, sem paredes. No qual o público vai poder andar e pensar a escultura a céu aberto – de maneira a se permitir o deslumbramento de um museu sem muros, sem proteção do sol, do vento, da chuva, do mato, dos insetos e dos bichos.

A ideia fomentada é que a arte esteja em total sintonia com as paisagens dada e modificada. Onde a escultura é transformadora e ao mesmo tempo é transformada pela natureza. Onde o público vai ter que caminhar para encontrar esse lugar, saindo da passividade do olhar e se convidando a explorar outras parte do corpo, da experiência artística.

O projeto, portanto, torna um pedaço de terra em uma paisagem construída, ainda mais acidentada e menos monótona que as formas convencionais de exposição vistas em instituições museológicas, em sua maioria fechadas entre quatro paredes.

O que se propõe a FAMA Campo? Intervenções dos artistas na paisagem de esculturas com caráter efêmero. Em outras palavras, sem a necessidade de conservação ou preservação, as esculturas são pensadas em harmonia com a natureza, sem agredi-la. Mesmo sem uma temática a orientar as criações artísticas, espera-se também que estas venham a refletir as questões da arte na contemporaneidade. Tais como a natureza e sua sustentabilidade, os desvios das ações humanas, da política e da necessidade de pensarmos na transitoriedade da vida.

Sem o conceito de permanência para a “eternidade” que prevalece nas criações da arte até então, inclusive a arte contemporânea com toda a sua complexidade, a “impermanência” é o que norteia o projeto da FAMA Campo. O espaço será uma mostra em que todos os artistas deverão entrar respeitando o lugar, sem hierarquia. No entanto, a natureza deve prevalecer e é quem vai ditar a ordem das coisas. Em tempos de discussões acirradas acerca da preservação dos ecossistemas do planeta, é um privilégio pensar o FAMA Campo. Nenhum trabalho será feito para durar para sempre e nem serão museificados, portanto.


Ricardo Resende

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