“Fossil”, Marcos Amaro

“Fossil”, Marcos Amaro
FAMA Museu

“Fossil”, Marcos Amaro

Quem transita próximo a FAMA Museu já consegue avistar parte de uma máquina que supera em altura o muro do museu. “Fossil” (2020), um ready-made do artista Marcos Amaro, é uma apropriação de uma peça bastante utilizada na extração de petróleo: uma bomba de vareta de sucção. O artista nos leva a contemplar a ferrugem de uma tecnologia que vem se tornando gradualmente obsoleta – com a consciência de que as nossas fontes de energia não são mais apropriadas e nem sustentáveis. Desgastada pelo tempo e deslocada da sua função inicial, a peça tem um formato peculiar que lembra um dinossauro habitando a antiga fábrica de tecidos – por isso o título Fossil. 

Marcos Amaro recorda sua infância ao contemplar essa tecnologia – relação afetiva que o artista mantém com as peças industriais, ou com a memória delas. Desta vez, diferente de outros trabalhos, Amaro não corta ou sedimenta a obra; deixa-a intacta, sem acúmulo ou colagem. Qual o significado de museificar uma máquina que um dia foi tecnológica, dentro de um museu que um dia também foi um espaço industrial? Cada vez mais temos a sensação de que a tecnologia se torna obsoleta muito rápido. Essa sensação não é exclusiva da nossa época – outros períodos da humanidade viveram revoluções que enterraram as suas tecnologias. Em uma sociedade ávida por mudanças, nenhuma mudança prevaleceu por muito tempo. Ao fossilizar a tecnologia do passado, Marcos Amaro expõe a velocidade com que a evolução e o conhecimento se tornam obsoletos. Uma lápide de parte da nossa história que aponta para a antiguidade da transformação.

[Fossil, 2020. Cavalo de pau, dimensões variáveis]

 

Stefanie Klein
Equipe de Comunicação