Arte na academia

Arte na academia
Beatriz Sant'Ana

Arte na academia

Exposição coletiva

Todas as manhãs, a luz natural invade as grandes janelas deste galpão e nos permite vislumbrar algumas das obras que foram incorporadas à coleção da Fábrica de Artes Marcos Amaro. Tais criações poderiam estar em espaços sem acesso ao público ou até mesmo dentro de caixas, mas estão aqui, expostas, visíveis aos olhos dos visitantes, dialogando entre si e também com o espaço que um dia foi parte da antiga fábrica de tecelagem São Pedro – e que hoje é batizada de Academia.

Se o nome do local nos remete as clássicas academias de arte, onde a partir do século 16 pintores e escultures se dedicavam à sua formação acadêmica, deixando de lado as associações informais e os círculos artísticos existentes na Renascença italiana, é curioso dizer que, neste caso, sua alcunha também se deve ao fato de uma antiga academia de ginástica ter ocupado este espaço nos últimos anos. Apesar de diametralmente opostos, o propósito delas também se aproxima se pensarmos que ambas buscam aprimorar e fortalecer a musculatura do ser humano como espécie, seja ela intelectual ou física.

Visitar esse acervo em construção nos permite acessar a linguagem que se propõe a coleção; nos dá a chance de participar das direções modernas e contemporâneas que ela tem tecido ao longo de sua jovem trajetória – e também os caminhos que pretende trilhar. Em comum, as obras reunidas aqui possuem a opulência de seu tamanho, as formas agigantadas que as impossibilitam ocuparem pequenos ambientes. Dessa forma, necessitam de ar e chão para alcançarem sua plena existência. Trazer à luz o acervo da FAMA é reforçar seu vínculo com o público e seu comprometimento com a história do espaço que habita. 


Ana Carolina Ralston
Cocuradora